- A APU - História
800 ANOS DE UROLOGIA
EM PORTUGAL
Da linha do tempo aos presidentes, sócios honorários, museu e às comemorações do Centenário da Associação Portuguesa de Urologia.
Figuras Ilustres
1216–1275
Petrus Hispanus — Pedro Hispano
Pedro Hispano, ou Pedro Julião, nasceu em Lisboa em 1216. Foi bispo de Túsculo e mais tarde tornou-se Papa, adoptando o nome de João XXI. É legítimo considerá-lo como o primeiro médico a ter lidado com problemas urológicos na sua obra. Ganhou notoriedade pelos seus tratados de medicina, o melhor dos quais foi "Thesaurum Pauperum" (Tesouro dos Pobres), publicado em Antuérpia em 1497 e várias vezes reeditado.
João Genovez e António Barroso
Em 1430, sob o reinado de D. João I, exigiu-se que os médicos se submetessem a um exame e fossem aprovados por Mestre Martinho, Físico-Mor do reino, para que fossem autorizados a praticar a sua profissão. Em 1445, foram introduzidas disposições similares para os cirurgiões sob a autoridade do Cirurgião-Mor.João Genovez (1502) é considerado como o primeiro cirurgião urologista a ter beneficiado da autorização de exercer em Portugal, após um exame presidido por Mestre Gil, Cirurgião-Mor do reino. Foi autorizado a tratar hérnias e a remover cálculos. Embora o tratamento das doenças do escroto e a remoção de cálculos vesicais já fossem autorizados nesta época, desconhece-se se estas intervenções eram realizadas mediante cistotomia.António Barroso (1526) foi, tanto quanto se sabe, o segundo urologista a submeter-se a semelhantes provas de avaliação e a receber a autorização para tratar hérnias e remover cálculos.A 26 de Julho de 1559 foi promulgada uma lei segundo a qual ninguém em Portugal poderia ser considerado cirurgião se não tivesse exercido durante pelo menos dois anos no Hospital de Todos os Santos.É nesta época que, pela primeira vez, são referidas mulheres em actividades médicas, em relação com o tratamento de doenças renais e uretrais. Entre elas contam-se Margarida Dias (1542) de Setúbal, Antónia Robalo (1555) de Lisboa, e Isabel Gonçalves (1609) de Redondo.
1508-1568
João Rodrigues de Castelo Branco (Amato Lusitano)
Amato Lusitano nasceu em Castelo Branco em 1508 e faleceu em Salónica 1568, tendo-se formado em medicina em Salamanca aos 18 anos de idade. Regressou a Portugal em 1529, e iria tornar-se o mais respeitado médico português do século XVI e um dos primeiros urologistas. Realizou intervenções cirúrgicas importantes, tais como a uretrolitotomia, o tratamento de hipospadias, a uretrotomia externa em casos de obstrução uretral, o tratamento cirúrgico da fimose, do hidrocele testicular e de fístulas recto-vaginais.O século XVI também viu surgir a Inquisição em Portugal e a expulsão dos judeus. Isto significa que o nosso país perdeu um número apreciável de médicos proeminentes, já que muitos médicos em Portugal eram judeus. Amato Lusitano era de ascendência judaica, de modo que também ele se viu forçado a abandonar o país, tendo viajado pela França e pela Itália. A sua reputação espalhou-se pela Europa, mas apesar das numerosas e interessantes ofertas que recebeu de vários países, incluindo um convite pelo rei da Polónia, elegeu Ancona, em Itália, para residência.Em finais de 1513 ou princípios de 1534, mudou-se para Antuérpia, onde abriu uma clínica e teve muitos contactos com Erasmo, um médico que ensinava em Lovaina e que, naquela época, era famoso por toda a Europa. Foi igualmente em Antuérpia que Amato Lusitano adquiriu conhecimentos de botânica e publicou o seu primeiro livro “In Dioscoridis anazarbei de materia medica”.Em 1547 partiu para Ancona, tendo então sido solicitado em Veneza para tratar o embaixador de Carlos V, Diego de Mendonza. Publicou um comentário sobre os dois livros de Dioscórides, e várias edições da sua famosa obra em sete volumes “Curationem medicinalium centuriae septem”, contendo os resultados das suas observações e os seus conselhos médicos. Foram impressos em 1584 e reimpressos em 1617, 1620, 1621, 1628, 1646 e 1654.Regressou a Ancona para tratar a irmã do Papa Júlio III, mas foi chamado a Roma em 1550 para colaborar com André Laguna no tratamento do próprio Papa Júlio, que padecia de uma doença respiratória.Em 1552 regressou a Ancona. Gozava de grande fama como médico, mas também como botânico, e realizou dissecções, quer em animais, quer em cadáveres humanos. Nas suas obras publicadas, fez referência à incontinência urinária subsequente a luxações vertebrais, podendo esta ser considerada como a primeira referência a bexiga neurogénica.Amato escreveu o seu famoso Juramento em 1559: “Juro por Deus eterno e pelos seus sagrados mandamentos entregues ao povo Hebreu sobre o Monte Sinai através de Moisés, após o seu cativeiro no Egipto, que na minha clínica nada mais fiz do que promover e enaltecer a fé através da aquisição de conhecimento.” Mas a sua obra-prima foi publicada em 1552: “Tratamento das Estenoses Uretrais”, graças à qual ganhou renome mundial.Pelo facto de professar a religião judaica, foi de novo perseguido em Pesaro e Ferrara, e mudou-se para Tessalónica, onde foi vítima de peste em 1568. Max Salomon considerou-o um anatomista e clínico erudito e um dos mais ilustres representantes da medicina do século XVI.
Alguns autores defendem que ele tenha aprendido a sua técnica de Alderete, um famoso médico de Salamanca, mas Silva Carvalho não concorda, e afirma no seu livro que Amato foi o inventor do método. Este viria posteriormente a ser introduzido por toda a Europa por um português, Filipe Velez (mestre Filipe ou Filipe Lusitano), que foi até Roma e alcançou grande fama nas capitais europeias. Era tido como o inventor de sondas dilatadoras feitas de cera e conhecidas como “velas dilatadoras”, usadas para dilatar as estenoses uretrais.Na transição entre os séculos XV e XVI, as cistotomias eram realizadas por barbeiros, que transmitiam a sua perícia cirúrgica aos filhos.
1575–1642
João Rodrigues de Castelo Branco (Amato Lusitano)
Zacuto Lusitano nasceu em Lisboa. Estudou filosofia e medicina em Salamanca e Coimbra, tendo concluído os seus estudo na Universidade Siquenza. Regressando a Portugal, passou dois anos em Coimbra, tendo-se mudado para Lisboa em 1598, onde praticou medicina durante quase 30 anos. Em 1625, a perseguição aos judeus em Portugal levou-o a fugir, e foi primeiro para Espanha, e depois para Amesterdão, onde colheu grande reputação como clínico. Lorain descreveu Zacuto como “um dos mais eloquentes médicos do seu tempo; os seus comentários dão-nos uma boa ideia da sua grande habilidade”. Zacuto foi o médico português mais proeminente do século XVII.Publicou dois volumes registando a experiência dos principais médicos do seu tempo, o primeiro dos quais foi “De Medicorum Principum Historia Libri Sex” (1629). O segundo surgiu em duas partes: “Praxis Historica” e “Praxis Admiranda” (1634). Zacuto escreveu igualmente dois volumes de observações sobre hermafroditismo, casos de litíase e de tumor vesical, e um cálculo que obstruia a uretra, num doente que recusava a ser operado, e que foi resolvido pela desintegração do cálculo com socos!
Séculos XVII a XIX
A cirurgia e, naturalmente, a Urologia, não foram praticadas em Portugal antes do século XVI. Quando Portugal se encontrava sob domínio árabe, os que extraíam cálculos vesicais eram considerados com grande desdém. O Juramento Hipocrático referia que os médicos "não devem sequer cortar os pacientes com cálculos vesicais".
Só a partir de 10 de Janeiro de 1577 é que os litotomistas e tratadores de hérnias passaram a ser oficialmente reconhecidos pelo rei D. Henrique III. No primeiro quarto do século XVII, Francisco Guilherme praticou a primeira cistotomia em Portugal.
1656
Morte de D. João IV
O Rei morre por anúria consecutiva a uma cólica. O tratamento prescrito incluiu purgações, banhos, água de ananás, sanguessugas e comprimidos de ferro — nenhum conseguiu expelir o cálculo.
1715
Cirurgia Reformada
Feliciano de Almeida descreve a primeira uretrotomia interna com um 'cisório' — catéter com fuso cortante em prata. Realiza também a primeira litotomia perineal.
1755
Hospital de S. José
Após o terramoto e dois incêndios que destruíram o Hospital de Todos os Santos, o Colégio de Santo Antão é adaptado a hospital, recebendo o nome de Hospital de S. José em 1776.
1825
Real Escola de Cirurgia
Nasce a Real Escola de Cirurgia no Hospital de S. José em Lisboa e no Hospital da Misericórdia no Porto.
No final do século XVIII ocorreu uma notável evolução no campo da cirurgia urológica, com a publicação dos trabalhos de Sharp (1773), Bourru (1794), Foart Simons (1794) e Benjamin Bell (1804).
Em 1855–1856, foram realizadas 28 cistotomias no Hospital de S. José em Lisboa: 26 em homens (17 curas, 9 mortes) e duas em mulheres (1 morte).
A Fundação da Urologia em Portugal
1907
Marco Histórico
Fundação da Associação Portuguesa de Urologia a 15 de Novembro. Artur Ravara é o primeiro Presidente.
1911
Marco Histórico
Fundação das universidades de Lisboa e do Porto, com duas novas Faculdades de Medicina.
1917
Marco Histórico
Oscar Moreno sucede a Azevedo Albuquerque como professor no Porto. Publica trabalhos em colaboração com Heitz Boyer.
1919
Marco Histórico
Sena Pereira realiza a primeira pielolitotomia por abordagem posterior.
1922
Marco Histórico
Henrique Bastos procede à primeira pielolitotomia por abordagem anterior e à primeira ureteropieloplastia.
1923
Marco Histórico
Fundação da Associação Portuguesa de Urologia a 15 de Novembro. Artur Ravara é o primeiro Presidente.
1926
Marco Histórico
Sabino Coelho administra a primeira anestesia espinhal, apresentada no 7.º Congresso da Sociedade Alemã de Urologia em Viena.
1930
Marco Histórico
Reynaldo dos Santos realiza a primeira urografia em Portugal — inaugurando a idade de ouro da urologia portuguesa.
1934
Marco Histórico
Reynaldo dos Santos propõe a nefrectomia adiada no tratamento da tuberculose, contra a nefrectomia imediata de Albarran.
1936
Marco Histórico
Reynaldo dos Santos é galardoado com a Medalha de Ouro da Sociedade Internacional de Urologia pela aortografia.
Personalidades da Urologia Portuguesa
Figuras que contribuíram para a História da Urologia Portuguesa até 1950.
Petrus Hispanus ou
Pedro Hispano
João Genovez
Garcia de Orta
Amato Lusitano (João Rodrigues de Castelo Branco)
Zacuto Lusitano (Diogo Rodrigues Zacuto)
Feliciano de Almeida
Ribeiro Sanches
Manuel Alfredo
da Costa
Artur Ravara
Angelo da Fonseca
Henrique Bastos
Reynaldo dos Santos
Oscar Moreno
Morais Zamith
Museu da APU
O acervo histórico da Associação Portuguesa de Urologia.
Presidentes da APU
Desde 1923, os líderes que guiaram a Associação Portuguesa de Urologia.
Artur Ravara
1923-1925-1929
Ângelo da Fonseca
1930-1931
Artur Furtado
1932-1933
Henrique Bastos
1934-1936
Reynaldo dos Santos
1937-1939-1949
Morais Zamith
1950-1951
Pinto Monteiro
1961-1962
Raúl Matos Ferreira
1963-1966
António Carneiro
de Moura
1967-1968
João Costa
1969-1970
Henrique Costa Alemão
1971-1974
Arménio Pinto de Carvalho
1977-1979
Alexandre Linhares Furtado
1980-1984
Alberto Matos Ferreira
1930-1931
José Campos Pinheiro
1989-1992
Joshua Ruah
1993-1996
Adriano Pimenta
1997-2000
Manuel Mendes Silva
2001-2005
Francisco Rolo Oliveira
2005-2009
Tomé Lopes
2009-2013
Arnaldo Figueiredo
2013-2017
Luís Abranches Monteiro
2017-2021
Miguel Silva Ramos
2021-Atualmente
Sócios Honorários
Personalidades nacionais e internacionais distinguidas pela APU.
Adriano Pimenta
Porto
Alberto Matos Ferreira
Lisboa
Alexandre Linhares Furtado
Lisboa
Arnaldo Figueiredo
Lisboa
Arménio Pinto de Carvalho
Lisboa
Davide Giordano
Veneza
Felix Legueu
Paris
Francisco Rolo Oliveira
Coimbra
George Marion
Paris
Hugh Young
Baltimore
Hurry Fenwick
Londres
Jimenez Cruz
Espanha
Joshua Ruah
Lisboa
Leopold Casper
Berlim
Luís Abranches Monteiro
Lisboa
Manuel Mendes Silva
Lisboa
Roberto Alessandri
Roma
Sabino Coelho
Lisboa
Sami Arap
Brasil
Solé Balcels
Barcelona
Tomé Lopes
Lisboa
Virgílio Machado
Lisboa
Comemorações do Centenário APU
1923–2023: Cem anos de Urologia em Portugal.
- Congresso centenário
Congresso Centenário
1923-2023
20 a 22 de Outubro de 2023 — Convento de São Francisco, Coimbra.