Informação ao Público

<Voltar


Prostatites

Miguel Alexandre Neves Silva Cabrita – Urologista – Hospital de Faro


As infecções do aparelho urinário constituem uma importante questão na área da Saúde não só pela sua elevada frequência e impacto na qualidade de vida mas também pelo aspecto económico decorrente.

A prostatite é a doença da Próstata mais frequente em homens com idade inferior a 50 anos. De referir que aproximadamente 50% dos homens desenvolverão sintomatologia de prostatite em algum período da sua vida.

Atendendo à frequência e complexidade desta patologia, e na tentativa de uma abordagem diagnóstica e terapêutica mais eficaz, foi recomendada pelo National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases do National Institute of Health a classificação actualmente mais utilizada que diferencia prostatite bacteriana aguda e crónica, síndrome de dor pélvica crónica e prostatite inflamatória assintomática (histológica).
 

O que é?

A classificação de prostatite bacteriana assenta em critérios clínicos e na evidência de infecção e inflamação da Próstata. De acordo com a duração dos sintomas pode ser classificada como aguda ou crónica (sintomatologia persistente mais de 3 meses). O quadro clínico predominante caracteriza-se por dor (lombar, suprapúbica, perineal, escrotal, peniana) e sintomas urinários (frequência elevada, diminuição da força e calibre do jacto, ardor na micção, retenção urinária entre outros). A prostatite bacteriana crónica é a causa mais frequente da infecção urinária recorrente no homem.

Deve ser individualizada do síndrome de dor pélvica crónica o qual é definido como dor pélvica recorrente ou persistente associado a sintomatologia sugestiva de disfunção (sintomas relacionados com mau funcionamento) do tracto urinário baixo, sexual, gastrointestinal ou ginecológico, sem infecção ou outra patologia óbvia documentada.
 

Como se diagnostica?

O diagnóstico assenta numa história clínica cuidada e em meios complementares de diagnóstico criteriosamente seleccionados nos quais se enquadram análises e culturas de urina, sangue e secreção prostática, diário miccional, fluxometria e determinação do resíduo pós-miccional. Saliente-se que um agente etiológico só é detectado pelos métodos de rotina em 5-10% dos casos.
 

Como se trata?

O tratamento deverá ser individualizado a cada caso. De referir que a prostatite bacteriana aguda pode constituir uma situação de extrema gravidade que necessite uma terapêutica agressiva em meio hospitalar.

O uso de antibióticos representa papel fulcral e está preconizado na prostatite bacteriana aguda, recomendado na prostatite bacteriana crónica e pode ser alternativa no síndrome de dor pélvica crónica. O uso concomitante de analgésicos, antipiréticos, alfabloqueantes, relaxantes musculares ou outras substâncias pode ser recomendado pelo urologista.

A terapêutica cirúrgica não está rotineiramente preconizada embora possa ser indicada na drenagem de abcesso prostático ou outras situações particulares.

Não existem recomendações específicas para a abordagem terapêutica do síndrome de dor pélvica crónica. A sua etiologia não está determinada, pelo que a terapêutica dirigida constitui um problema. Assim justificam-se múltiplas abordagens terapêuticas.

A prostatite inflamatória assintomática, pela ausência de sintomatologia, não justifica qualquer terapêutica.

A prostatite é uma patologia complexa em que sintomas urológicos podem manifestar entidades diferentes, algumas com necessidade de terapêutica agressiva em meio hospitalar. Desta forma, perante a suspeita deve ser conduzida de forma criteriosa a investigação clínica pelo Urologista com vista à melhor estratégia terapêutica.

Publicado em Janeiro 2010