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Infecção Urinária Recorrente na Mulher

Pedro Miguel Abrantes Antas de Barros – Assistente Hospitalar – Centro Hospitalar Lisboa Norte


Por definição infecção urinária ( IU ) recorrente é aquela que ocorre com frequência ≥ 3/ano ou com frequência ≥ 2 episódios nos últimos 6 meses.

Consideram-se 2 tipos:

- IU RECIDIVANTE - Precoce , ocorre nas primeiras 2 semanas após o final da antibioterapia , sendo o agente etiológico o mesmo da infecção inicial. Habitualmente é resultado de insuficiência do tratamento inical ( antibioterapia inadequada, resistência antibiótica, incumprimento da terapia prescrita ) ou por alteração subjacente do aparelho urinário.

- REINFECÇÃO - Tardia, ocorre após 2 semanas do final do tratamento da IU inicial, num doente que se encontrava curado, sendo o agente etiológico diferente da IU anterior ( geralmente pertencente à flora do tubo digestivo ou da vagina, e menos frequentemente proveniente do parceiro sexual ).

Geralmente o agente etiológico das IU recorrentes é a E. Coli.. Todavia na IU recorrente o tratamento antibiótico deve ter por base a urocultura pré-tratamento, devendo ser comprovada a cura com urocultura pós antibioterapia.

Estão descritos diversos factores de risco

Genéticos- mulheres não secretoras de antigénios sanguineos nos fluidos corporais ( 20% população feminina ); maior aderência epitelial do urotélio aos uropatogéneos; história de IU materna

Ambientais/Comportamentais, como a frequência das relações sexuais, uso de espermicidas, idade na primeira IU ( risco aumentado sobretudo se abaixo 15 anos de idade )

Estruturais/ Funcionais, como o prolapso vesical, Incontinência Urinária, residuo pós miccional aumentado

IU rcorrentes são muito frequentes, ocorrendo em 25% das mulheres em qualquer período da sua vida, e têm um grande impacto na sua qualidade de vida , bem como no sistema nacional de saúde, em virtude dos elevados custos que acarretam : absentismo laboral, consultas médicas, exames clínicos e medicação. De modo a minorar o risco desta situação foram propostas diversas medidas farmacológicas e não farmacológicas.
 

MEDIDAS NÃO FARMACOLÓGICAS

Hidratação

Evitar banhos de imersão

Micções regulares

Micção pós-coito

Higiene

Vestuário adequado

Regularização do trânsito intestinal

Evitar uso de espermicidas

Acidificação da urina

Sumo de arando (Mirtilo)

Identificação e resolução de factores de risco corrigíveis
 

MEDIDAS FARMACOLÓGICAS

Imunoprofilaxia – vacinas

• oral Urovaxom® 1 cápsula/dia (3M) - redução 30% das reinfecções

Aplicação vaginal de Probióticos – Lactobacillos

Estrogéneos intravaginal/oral nas mulheres pós menopausa

Antibioterapia profilática (< 8 x o risco de infecção) ao deitar/ pós coito

I. TMP-SMX ( 40-200 mg/dia ) até 5 anos

II. Nitrofurantoína ( 50-100mg/dia )/ Quinolonas ( 200/250 mg/dia) – 1 cp à noite – 6 meses

III. Fosfomicina – 3g 10/10 dias – 6 meses

IV. Cefalosporina primeira geração ( ex. Cefaclor )- gravidez

V. TMP-SMX/Nitrofurantoína - toma única pós-coito, se associação IU-relação sexual

Todavia, mesmo os esquemas de profilaxia antibiótica não alteram a história natural das IU recorrentes , uma vez que a sua suspensão leva a que 60% das doentes tenham nova infecção dentro de 3 -4 meses.

 

Onde posso saber mais sobre o tema?

www.sosbexiga.com
Site onde poderá encontrar informação relativa ao problema das infecções urinárias
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Publicado em Abril 2010
Revisto em Março 2012