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Disfunção Sexual Masculina – Disfunção Eréctil

João Nuno Tomada Marques – Assistente Hospitalar – Hospital de São João


A disfunção eréctil (DE), anteriormente conhecida por impotência, é definida como a incapacidade persistente em obter e/ou manter uma erecção suficiente para uma relação sexual satisfatória. É uma doença muito frequente, estimando-se que cerca de 50% dos portugueses apresentem algum grau de DE. A sua prevalência é notoriamente dependente da idade verificando-se que esta doença afecta 29% dos homens entre os 40-49 anos, 50% entre os 50-59 anos e 74% entre os 60-69 anos. Apesar de ser uma doença benigna, altera de forma muito significativa a qualidade de vida tanto do doente como da sua companheira.
 

Mecanismo da erecção

O estímulo sexual, físico e/ou mental, é responsável por uma resposta integrada do cérebro, nervos, vasos sanguíneos e hormonas que conduz a um relaxamento do músculo liso no interior dos corpos cavernosos e preenchimento dos mesmos, o que resulta numa erecção (Fig.1).

A DE é assim a manifestação de várias patologias ou tratamentos que podem afectar as hormonas, nervos, artérias e veias envolvidas no processo eréctil. A causa da DE pode ser psicogénica, decorrente do stress marital ou do emprego, ansiedade de performance, problemas financeiros, depressão, entre outros, mas a grande maioria é de causa orgânica (Tabela 1).

 

Tabela 1 - Causas da DE

Vasculogénica
- Doença cardiovascular
- Hipertensão
- Diabetes
- Colesterol elevado
- Tabagismo
- Pós-cirurgia por exemplo Cirurgia Radical da Próstata

Neurogénica
- Centrais:
          Esclerose múltipla, Doença de Parkinson, Tumores cerebrais, Acidentes vasculares cerebrais, etc.
- Periféricos:
          Alcoolismo, Uremia, Polineuropatia, etc.

Anatómica ou estrutural
- Doença de Peyronie
- Fractura peniana
- Curvatura peniana congénita
- Micropenis
- Hipospádias ou epispádias

Hormonal
- Diminuição da Testosterona
- Aumento da Prolactina
- Distúrbios da tiróide

Induzida por fármacos
- Anti-hipertensores (mais frequentemente diuréticos e bloqueadores beta)
- Anti-depressivos
- Anti-psicóticos
- Anti-androgénios
- Anti-histamínicos
- Drogas ilícitas

Psicogénicas

 

Opções de tratamento

Diversos estudos epidemiológicos relacionam o risco de DE com factores de risco cardiovascular potencialmente modificáveis como hipertensão, obesidade, sedentarismo, tabagismo e elevação do colesterol. O bom funcionamento do endotélio (o revestimento interior dos vasos sanguíneos) é alterado pela agressão sistemática por estes factores de risco. A disfunção resultante pode ser expressa mais precocemente em artérias de menor calibre como as artérias cavernosas no interior do pénis e assim alertar para a presença de uma doença arterial mais disseminada. Sabe-se que a DE precede em cerca de 3 anos um evento cardiovascular, de que é exemplo o enfarte do miocárdio. Assim, a presença de DE ao constituir um sinal de alarme de doença arterial deverá não só obrigar a um estudo vascular minucioso, como também motivar a implementação de medidas que visem a alteração dos factores de risco cardiovascular.

Antes de iniciar tratamento específico deverá ser iniciado um processo de alteração do estilo de vida como a cessação tabágica, e a adopção de uma alimentação saudável e de um programa de exercício físico regular, Não só melhoram globalmente a saúde, como também se verifica que apenas com estas alterações 30% dos doentes melhoram da sua disfunção eréctil.

Apesar de poder ser tratada eficazmente, a DE não pode ser curada, com as excepções da DE psicogénica, DE arteriogénica após traumatismo em doentes jovens e causas hormonais. A primeira linha de tratamento envolve o recurso a fármacos orais como o Sildenafil (Viagra®), Vardenafil (Levitra®) e o Tadalafil (Cialis®). Estes fármacos exercem a sua acção através do relaxamento do músculo liso dentro dos corpos cavernosos o que permite o preenchimento do pénis com sangue; contudo, por si só, não provocam uma erecção se não houver um estímulo sexual concomitante. Para além disso não têm qualquer efeito no desejo sexual ou no orgasmo. O seu início de acção situa-se entre os 30 e os 60 minutos após a toma, podendo ser mais variável se forem ingeridos logo após as refeições ou após ingestão de álcool. O seu efeito pode durar entre 4 a 8 horas no caso do Sildenafil e Vardenafil, e até 36 horas no caso do Tadalafil. Têm uma taxa de eficácia que ronda os 70 a 80%, com uma taxa de efeitos adversos baixa. Todos podem causar dores de cabeça, tonturas, azia, rubor facial, e/ou corrimento nasal. Poderão surgir alterações visuais no caso do Sildenafil e dores musculares, principalmente na região lombar, no caso do Tadalafil.

Estão estritamente contra-indicados nos doentes que estejam a tomar nitratos, dado o seu efeito aditivo para a descida da tensão arterial, podendo conduzir a um desfecho fatal.

Mas para o homem que não quer, não pode ou não deve, tomar estes fármacos existem outras opções de tratamento. Destacam-se o aparelho de vácuo, que consiste num cilindro de plástico que é colocado sobre o pénis e que o mantém rígido por efeito de sucção e pela colocação de um anel constritor na base peniana; e a injecção intracavernosa de medicamentos vasodilatadores como o Alprostadil (Caverject®).

Como tratamento de última linha dispomos actualmente da colocação de uma prótese peniana. Existem vários tipos, desde as mais simples com dois cilindros maleáveis inseridos nos corpos cavernosos até à mais complexa - insuflável de três componentes, mais fisiológica que permite uma rigidez mais completa e que pode ser completamente desinsuflada. Apesar de ser mais dispendiosa e representar uma cirurgia mais complexa, devendo ser apenas efectuada por urologistas com treino adequado, os resultados são extremamente satisfatórios.

Publicado em Janeiro 2010