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Cólica Renal

David Joffe Botelho – Urologista – Hospital da Marinha


A cólica renal é uma dor tipo paroxístico (intermitente) que se caracteriza por um aumento progressivo de intensidade seguido de alivio para depois se agravar novamente. Estas cólicas, poderão variar entre um ligeiro desconforto no flanco e uma dor violenta com irradiação do flanco até á região inguinal (virilha) necessitando por vezes de internamento hospitalar afim de se proceder a uma terapêutica (medicação) eficaz para controlo da dor. Durante as crises não existe uma posição antiálgica (que diminua a dor) e os doentes, pelo contrario, ficam em grande agitação, não encontrando alivio com qualquer posicionamento.

A obstrução do baçinete e ureteres (alto aparelho urinário), seja ela intrínseca (dentro do alto aparelho urinário) ou extrínseca (fora do alto aparelho urinário), provocando impedimento da progressão da urina, provoca uma dilatação da via urinária alta que, sendo intermitente provoca a dor cólica que tem assim a característica de ser paroxística. Quando a obstrução é completa a dor quase desaparece ficando o doente com a impressão de falsas melhoras, o que poderá conduzir a uma situação de maior gravidade. As causas intrínsecas mais frequentes são cálculos, coágulos, necrose papilar, estenoses (apertos) de causa inflamatória ou parasitária, eg. tuberculose ou bilharziose, ou doença da junção pielo-ureteral e mais raramente tumores uroteliais obstrutivos, as causas extrínsecas pouco frequentes poderão ser compressões por tumores de órgãos vizinhos, lesões traumáticas ou fibrose idiopática retroperitoneal.

A dor é do lado da obstrução mas o foco de maior intensidade pode depender da sua localização. A cólica frequentemente inicia-se no flanco mas também pode ser sentida no abdómen, região inguinal ou nos genitais. Pode associar-se a náuseas e vómitos e aumento da frequência das micções ou imperiosidade de urinar. Frequentemente pode estar associado hematúria (sangue na urina) que pode ser visível a vista ou só ao microscópio.

Os rins estão situados nos flancos ligeiramente abaixo da 11ª costela e tem como função a filtração e eliminação de metabolítos do nosso corpo. Alguns desses metabolítos poderão em determinadas circunstâncias cristalizar e conglomerar-se constituindo-se assim em cálculos.

Um cálculo renal pode permanecer silenciosamente num rim até ser descoberto incidentalmente. Por vezes, como já se disse o cálculo pode obstruir a passagem de urina e provocar dor.

O diagnóstico é feito pela historia clínica e observação do doente, mas apenas com exames de imagem poderemos confirmar o diagnóstico e determinar a localização da obstrução e se de cálculo se tratar, a sua dimensão. Um Rx simples e ecógrafia do aparelho urinário são exames de primeira linha podendo no entanto ser necessário uma TAC para melhor esclarecimento.

Terapêutica da Cólica Renal

Dado a intensidade da dor, os doentes, normalmente, recorrem a Serviços de Urgência, onde após diagnóstico será administrada terapêutica adequada de analgesía e profilaxia das complicações.

Muitos cálculos são suficientemente pequenos para serem eliminados naturalmente ao fim de algum tempo, mas outros poderão, pela sua dimensão, pela sua localização ou por acidentes anatómicos poderão encravar e demorar mais tempo ou poderão não ser eliminados. O urologista deverá apreciar a possibilidade de saída espontânea mas, se a situação for de previsão negativa, se houver febre ou o sofrimento do doente se prolongar, fica obrigado a uma actuação cirúrgica.

A terapêutica cirúrgica poderá ser não invasiva, Litotricia Extracorporea por Onda de Choque (LEOC), mini-invasiva (endoscópica) ou cruenta (cirurgia aberta).

Nos cálculos de ácido úrico poder-se-á tentar a sua dissolução com alcalinisantes da urina.

Todos os cálculos extraídos ou eliminados deverão ser analisados afim de se instituir dieta e terapêutica profilática adequada.

Publicado em Outubro 2010